Sono insuficiente e o aumento do risco cardíaco

O sono insuficiente tem se tornado um problema de saúde pública, especialmente em sociedades marcadas por rotinas aceleradas, excesso de telas e altos níveis de estresse. Dormir mal não afeta apenas o humor e a produtividade: evidências científicas consistentes demonstram que a privação de sono está diretamente associada ao aumento do risco de doenças cardiovasculares.

O que é considerado sono insuficiente?

De forma geral, adultos necessitam entre 7 e 9 horas de sono por noite para manter funções metabólicas, hormonais e cardiovasculares adequadas. O sono insuficiente pode ocorrer por:

  • Redução crônica da duração do sono
  • Sono fragmentado ou de baixa qualidade
  • Distúrbios do sono, como insônia e apneia obstrutiva do sono
  • Hábitos inadequados (uso excessivo de telas, cafeína, álcool)

Mesmo quando o indivíduo “dorme”, a má qualidade do sono pode comprometer seus efeitos restauradores.

Como o sono afeta a saúde cardiovascular?

Durante o sono, especialmente nas fases profundas, o organismo entra em um estado de redução da atividade cardiovascular, com queda da frequência cardíaca, da pressão arterial e do consumo de oxigênio. Esse período é essencial para a recuperação do sistema cardiovascular.

Quando o sono é insuficiente, esse processo é interrompido, gerando sobrecarga contínua ao coração e aos vasos sanguíneos.

Principais mecanismos que ligam sono insuficiente ao risco cardíaco

  1. Aumento da pressão arterial

A privação de sono reduz o chamado efeito dipping noturno, que é a queda natural da pressão durante o sono. Isso favorece a hipertensão arterial, um dos principais fatores de risco cardiovascular.

  1. Ativação excessiva do sistema nervoso simpático

Dormir pouco mantém o organismo em estado de alerta constante, elevando níveis de adrenalina e cortisol, hormônios que aumentam a frequência cardíaca e a pressão arterial.

  1. Inflamação crônica

O sono insuficiente está associado ao aumento de marcadores inflamatórios, como a proteína C-reativa, que contribuem para a aterosclerose e o risco de infarto e AVC.

  1. Alterações metabólicas

A privação de sono prejudica a sensibilidade à insulina, favorece o ganho de peso e aumenta o risco de diabetes tipo 2, condições fortemente ligadas às doenças cardiovasculares.

  1. Disfunção endotelial

O endotélio, camada interna dos vasos sanguíneos, perde sua capacidade de regular o fluxo sanguíneo, facilitando processos trombóticos e ateroscleróticos.

Doenças cardíacas associadas ao sono insuficiente

Diversos estudos associam a curta duração do sono ao aumento do risco de:

  • Hipertensão arterial sistêmica
  • Doença arterial coronariana
  • Infarto agudo do miocárdio
  • Acidente vascular cerebral (AVC)
  • Arritmias cardíacas
  • Insuficiência cardíaca

Pessoas que dormem regularmente menos de 6 horas por noite apresentam risco cardiovascular significativamente maior quando comparadas àquelas com sono adequado.

Sono insuficiente e estilo de vida moderno

Alguns fatores contemporâneos contribuem diretamente para a privação de sono:

  • Jornadas de trabalho prolongadas
  • Uso excessivo de smartphones e redes sociais à noite
  • Trabalho em turnos ou noturno
  • Estresse crônico e ansiedade
  • Falta de rotina regular de horários

Esses hábitos impactam negativamente tanto o sono quanto a saúde do coração.

A importância da qualidade do sono, não apenas da quantidade

Dormir por muitas horas não garante sono reparador. A qualidade do sono depende de fatores como:

  • Continuidade (sem despertares frequentes)
  • Presença adequada de sono profundo
  • Ambiente silencioso e escuro
  • Ausência de distúrbios respiratórios

Distúrbios como a apneia do sono, por exemplo, elevam significativamente o risco cardiovascular mesmo em pessoas que dormem por longos períodos.

Estratégias para melhorar o sono e proteger o coração

  1. Estabelecer uma rotina regular

Dormir e acordar sempre nos mesmos horários ajuda a regular o ritmo circadiano.

  1. Reduzir estímulos à noite

Evitar telas, cafeína e álcool nas horas que antecedem o sono.

  1. Criar um ambiente adequado

Quarto escuro, silencioso e com temperatura confortável favorece o sono profundo.

  1. Praticar atividade física regularmente

Exercícios melhoram a qualidade do sono e reduzem o risco cardiovascular, desde que não sejam realizados muito tarde.

  1. Procurar avaliação médica

Em casos de ronco intenso, sonolência diurna ou insônia persistente, a investigação de distúrbios do sono é fundamental.

Conclusão

O sono insuficiente é um fator de risco cardiovascular frequentemente subestimado. Dormir pouco ou mal compromete o equilíbrio hormonal, metabólico e inflamatório do organismo, aumentando significativamente o risco de doenças cardíacas.

Cuidar do sono deve ser entendido como uma estratégia essencial de prevenção cardiovascular, ao lado de alimentação saudável, atividade física e controle do estresse. Dormir bem não é luxo — é um pilar fundamental da saúde do coração.

Categorias

Mais destaques

Posts relacionados